sábado, 16 de maio de 2009

Heroes em versão trash


Pessoas que se descobrem com poderes especiais, uma organização do “mal” que os caça, e garotas bonitas enchendo a tela. É, o roteiro de Push [Push, Paul McGuigan, 2009], se parece muito com o que rola em Heroes, e eu já disse aqui que talvez ele tivesse potencial para ser melhor que a série de TV. Mas no final, me enganei redondamente. E é inevitável passar o texto todo comparando as duas produções.

Push acompanha dois americanos com habilidades especiais em Hong Kong, que partem numa busca para achar uma garota que também é procurada por uma tal Divisão [um genérico da Companhia, de Heroes]. A garota é uma pusher – alguém que pode forçar as pessoas a acreditarem no que ela quiser – e guarda um segredo que pode acabar com todos os indivíduos com poderes especiais – se não com o mundo todo.

O roteiro do filme é fraco e muito menos bem cuidado do que os piores episódios de Heroes [e olhe que os dois tem muito em comum]. Mas é um conjunto de coisas que faz com que o resultado final seja desastroso. As atuações do elenco principal são medíocres – com uma única exceção – e em certos casos, até forçadas; O local onde a história toda se passa, Hong Kong [mais precisamente as favelas], passa a impressão de que o filme é um belo de um trash, o que só diminui a qualidade da fotografia apresentada – e isso não é lá uma desculpa, olha que Slumdog Millionaire também se passa em uma favela...

A única coisa que se salva no filme é – pasme – Dakota Fanning. Com uma personagem que passa longe do estereótipo da garota bonitinha e indefesa que passa o tempo todo gritando, Fanning dá a sua ‘observadora’ Cassie uma rebeldia que foi muito bem trabalhada, além de usar sua carinha bonitinha para passar a informação de que ela já enfrentou muita coisa na vida. E enfrentou sem dar um único grito [que foi o que a deixou famosa].

E na falta dos gritos da garota, os roteiristas criaram um clã de ‘mafiosos super poderosos’ de Hong Kong que tem nos gritos suas maiores armas. Achei isso uma espécie de ‘buraco’ no roteiro, que poderia ter sido resolvido com mais criatividade. Enfim, tirando a prova dos nove, você vai perceber que faltou originalidade no conceito do filme, além de criatividade para dar outros rumos ao roteiro. No fim das contas, você vai assistir – no máximo – uma cópia trash de Heroes.

domingo, 10 de maio de 2009

Onde nenhum Star Trek jamais esteve


E falar isso não é pouca coisa. Star Trek [Star Trek, J.J. Abrams, 2009] está em um patamar onde nenhum outro filme da franquia jamais esteve – e não é a toa que já [e tão já] garantiu suas duas próximas continuações.

Não só por ser o filme mais caro de toda a saga – e, por isso, já deveria ser bem mais cobrado do que qualquer outro -, ou por ser o de maior retorno em toda a história [de mais de 40 anos]. Mas sim por todo um conjunto de escolhas muito bem sucedidas: um elenco composto por ‘semi’ estrelas de Hollywood, um roteiro original [e cheio de easter eggs – referências à história original - espalhados por ele] e um diretor que, além de ser um dos maiores nomes de Hollywood atualmente e é considerado um dos maiores gênios do estilo ‘nerdcore’. E ainda: assume que não é fã da série.

Decisões ousadas, diga-se de passagem, porque esse não é um filmezinho de ficção comum. Star Trek é uma das séries que conta com um número absurdo de fãs. E fãs mais do que apaixonados. Fanáticos seria uma palavra mais apropriada. Mas Abrams queria algo diferente. E foi esperto o suficiente para pisar com cuidado nesse terreno novo e acabou por criar uma ótima mistura entre um blockbuster típico e um filme que apenas os fãs entenderiam.

Trata-se de um reboot da série – conta a história da primeira viagem da U.S.S. Enterprise e as primeiras aventuras de sua tripulação original, comandada pelo capitão Christopher Pike. O que é uma ótima sacada, pois é exatamente isso que permite que até quem nunca tenha ouvido falar em Frota Estelar, Klingons e vulcanos possam curtir o filme tão bem quanto o trekker mais xiita. O roteiro é, definitivamente, um dos pontos mais altos do filme.

A história, escrita por Roberto Orci e Alex Kurtzman, conta uma história interessante, sim. Mas a história não é nada sem os atores que fazem ela pular das páginas do script. E é aí que Abrams mostra porque é tão reverenciado: escolheu atores jovens, com gás, e os dirigiu de maneira detalhista [vide os easter eggs ao longo do filme] e inovadora, dando ao filme um certo dinamismo que eu nunca me lembro de ter visto antes nos filmes da série. A imprensa especializada dá destaque – e com razão – a Kirk, Spock e Nero, o trio de protagonistas do filme – que carregam traços de personalidade muito interessantes e também inéditos até então.

Tirando a prova dos nove, é realmente um filme que pode divertir qualquer público e prova – de uma vez por todas, assim como Nolan fez com Batman Begins em 2005 – que a franquia está muito, mas muito viva. Nunca nenhum Star Trek esteve onde este está. E esse décimo primeiro Star Trek está longe – muito longe - de ser a fronteira final.

Vida longa. E próspera.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Seria Wolverine um corintiano? Ou um flamenguista?

Fiquei com medo de que o Cadu tivesse roubado essa 'pauta' de mim - no sentido de falar primeiro, mesmo - no Twitter. E roubou mesmo. Hugh Jackman foi ao Parque Ecológico assistir ao treino do Timão e conhecer Ronaldo. Jackman ganhou uma camisa do Corinthians com o X e o nome de seu personagem na saga mutante.

E aqui vai a foto que comprova o fato:



E diz que depois ele foi no Flamengo e também ganhou uma camisa rubro-negra... vai saber...

segunda-feira, 4 de maio de 2009

a la Tarantino


Precisei pensar um tempo antes de começar a escrever sobre Mesmo Delivery [Rafael Grampá, 2008]. Precisei, só pra conseguir colocar ordem naquilo tudo que eu devo escrever [e nem assim dou certeza de que vou conseguir].
Mesmo Delivery traz dois caras que são responsáveis por entregar uma carga que está dentro do caminhão. Mas eles não podem de maneira alguma saber qual é o conteúdo da carga e nem mesmo abrir o compartimento de carga do caminhão. A história começa comum, afinal, a gente vê isso por aí com frequência. Mas Mesmo não é comum, e isso já dá material suficiente para uma mente fértil, como a do brasileiro Rafael Grampá.

Apesar de muita gente falar muito bem do estilo do traço de Grampá [elogios muito merecidos, diga-se] e até mesmo tratá-lo - as vezes - como o maior destaque da HQ, a meu ver, o maior destaque está no roteiro. Roteiro esse que lembra muito as coisas feitas por Quentin Tarantino. Não só no estilo de narrativa [que utiliza flashbacks para fazer com que o leitor entenda a história], mas também na criação dos personagens, que tem aspectos icônicos sensacionais - Sangrecco, o personagem principal, é um fã do Elvis.

Mesmo poderia muito bem ser o storyboard do roteiro de um 'curta-metragem' - devido ao tempo curto que se leva para ler a graphic novel - do próprio Tarantino, a julgar pela semelhança das mentes 'doentias' de ambos. Doentias, sim, mas não por isso menos geniais. Mas claro que eu não vou contar o que acontece a partir do lance da entrega da carga. Mas há de se reconhecer: com Mesmo, Grampá prova que não é necessário ter uma idéia mirabolante com e um roteiro pra lá de viajandão para se fazer uma HQ muito competente.

E não foi a toa que Mesmo Delivery foi considerada o melhor debut de 2008 pela revista Wizard.

Peixe


Não deu pra segurar.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Documentários

Caíram na rede trailers de documentários que ainda vão dar o que falar. O primeiro deles é Beer Wars, confere:



E nas palavras do site oficial: In America, size matters. The bigger you are, the more power you have, especially in the business world. Director Anat Baron takes you on a no holds barred exploration of the U.S. beer industry that ultimately reveals the truth behind the label of your favorite beer. Told from an insiders perspective, the film goes behind the scenes of the daily battles and all out wars that dominate one of Americas favorite industries.

O segundo, na realidade, se trata de uma graphic novel, e definido como um 'documentário em quadrinhos', criada por Rick Koslowski. Três Dedos: Um Escândalo Animado conta uma história proibida de Walt Disney e com um certo... tom irônico. Três Dedos vai para as bancas pelas mãos da Gal Editora. Confere o trailer que a editora soltou:



Ação e comédia na dose certa


Antes de começar a falar sobre Spirit [The Spirit, Frank Miller, 2009], é preciso reconhecer que eu não conheço o personagem bem o bastante pra falar com convicção dele. Tudo o que eu realmente sei é que ele foi um dos primeiros ícones heróicos dos quadrinhos, e que seu criador, Will Eisner, foi [e ainda é] um dos papas das HQs.

Spirit traz a história de Danny Colt, policial de Central City que morreu, mas volta dos mortos e decide se tornar um vigilante mascarado para proteger a cidade se tornando seu espírito. E ele tem que lutar contra arquiinimigos [nem sei se isso a nova regra gramatical permite, mas nem tô ligando], antigos amores e contra anjos da morte.

Spirit é uma adaptação de HQ feita por alguém que entende tudo disso: Frank Miller, sendo o próprio um dos papas da HQ moderna. E tudo que tem a ver com Frank Miller no cinema, tem a ver com fundo verde. Depois de Sin City e 300, Spirit também usa esse artifício, dando, é claro, muita exuberância visual ao filme.

E me arrisco a dizer que ele foi muito bem usado, pois deu ao elenco uma liberdade teatral nas interpretações e isso deu uma dinâmica sensacional ao filme. O elenco, com certeza, entrega o melhor do filme. Encabeçado pelo pouco conhecido [pelo menos até então] Gabriel Macht, e com o apoio de gente de peso como Samuel L. Jackson, Eva Mendes e Scarlett Johansson, só pra dizer alguns, ainda não consegui descobrir se foi por força de um roteiro brincalhão ou por livre e espontânea vontade dos atores que às vezes dava para perceber claramente que eles estavam 'brincando' em cena. Na realidade, acho que a única que tentou ser séria o tempo todo, foi Eva Mendes.

E o formato em tela verde só contribui para isso. O que parece é que o filme tenta ser sério, mas que também não faz tanta força assim a ponto de querer enganar alguém. Prova disso é Octopus, o arquiinimigo do Spirit, vivido por Samuel L. Jackson. O cara sempre rouba a cena com maluquices tão 'sensacionais', que me fez lembrar do Coringa: ele se diverte com o que está fazendo.

Queria aqui, também, abrir um parágrafo - que você vai perceber, vai cortar totalmente o ritmo do texto - pra falar de gato. A lenda urbana diz que gatos tem sete vidas. E como o Spirit não morre, está sempre aparecendo gatos em cena, sendo que ele até chega a papear com algum. Apropriado.

Enfim, falando como alguém que ainda não conseguiu ler as HQs, me arrisco a dizer que Frank Miller acertou nessa. Não sei dizer se essa mistura bacana de film noir de ação e comédia [na dose certa] foi uma criação original de Will Eisner. Mas se foi, ele agora deve estar sorrindo lá de cima.